Bebês

Quando levar o bebê ao dentista pela primeira vez?

A primeira consulta deve acontecer quando nasce o primeiro dentinho, ou no máximo até 1 ano de idade. Veja por que e como ela funciona.

Ilustração de um dentinho de leite com escova infantil e chocalho

A primeira consulta com o odontopediatra deve acontecer quando nasce o primeiro dentinho, ou no máximo até o bebê completar 1 ano. Essa é a orientação da Academia Americana de Odontopediatria[1], adotada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Associação Brasileira de Odontopediatria[2]. E existe um bom motivo para ela: nessa fase, a consulta é quase toda de prevenção e orientação, sem nenhum tratamento.

Por que tão cedo?

Muitos pais imaginam que o dentista só entra na vida da criança quando aparece um problema. Na odontopediatria, é o contrário. A primeira visita existe para que o problema não apareça.

Nos primeiros meses, os hábitos da família ainda estão se formando. É o momento ideal para aprender como limpar a boca do bebê, quando começar a usar escova e creme dental, e como a alimentação influencia os dentes que estão chegando.

Quando a primeira visita acontece só depois de uma dor ou de uma mancha no dente, a criança conhece o dentista num momento de desconforto. Quando acontece cedo, ela conhece um ambiente tranquilo, sem pressa e sem procedimento.

O que acontece na primeira consulta do bebê

A consulta começa com uma conversa. A Dra. Letícia quer entender a rotina da família antes de olhar a boca do bebê.

Durante esse encontro, normalmente:

  • conversamos sobre a saúde do bebê, a gestação e o nascimento;
  • falamos sobre amamentação, mamadeira, chupeta e alimentação;
  • o bebê é examinado no colo do responsável, de forma rápida e delicada;
  • avaliamos a gengiva, os dentes que já nasceram e o desenvolvimento da boca;
  • os pais aprendem, na prática, como fazer a higiene em casa;
  • combinamos quando deve ser o próximo retorno[1].

Na maioria das vezes, a primeira consulta do bebê não tem nenhum procedimento. É uma consulta de orientação e de conhecer a família.

Sinais para procurar o odontopediatra antes

Mesmo antes do primeiro aniversário, vale marcar uma avaliação se você perceber:

  • manchas brancas, amarelas ou escuras nos dentinhos;
  • dente que já nasceu com aspecto diferente dos outros;
  • sangramento ou inchaço na gengiva;
  • dificuldade na amamentação que o pediatra relacionou à boca ou à língua;
  • uma queda em que o bebê bateu a boca ou os dentes.

E o creme dental, quando começa?

Uma das dúvidas mais comuns na primeira consulta é sobre o creme dental. A recomendação do Ministério da Saúde[3] é:

  • usar creme dental com flúor (pelo menos 1.000 ppm, informação que vem na embalagem) a partir do primeiro dente;
  • para bebês, colocar uma quantidade bem pequena, parecida com um grão de arroz cru;
  • escovar duas vezes ao dia, sempre com um adulto fazendo ou supervisionando a escovação.

Na consulta, a Dra. Letícia mostra na prática a quantidade certa e a melhor posição para escovar os dentinhos do bebê.

Como preparar o bebê (e você) para a consulta

Com bebês, a preparação é simples:

  • Escolha um horário tranquilo, longe da hora do sono e logo depois de mamar ou comer.
  • Leve suas dúvidas anotadas. É comum esquecer as perguntas na hora.
  • Leve um brinquedo ou objeto de conforto que o bebê goste.
  • Mantenha a calma. Bebês percebem o clima do adulto. Se ele chorar um pouco, está tudo bem: o choro nessa idade é uma forma normal de reagir ao novo.

O que a família leva para casa

O maior resultado da primeira consulta não acontece no consultório. Acontece nos dias seguintes, em casa, com uma rotina de cuidado que a família aprendeu a fazer com segurança.

A partir dessa primeira visita, a criança começa a construir uma relação com o dentista baseada em confiança, e não em medo. E é essa relação que faz diferença ao longo de toda a infância.

Referências

Este artigo foi escrito com base nas recomendações abaixo. Os números entre colchetes no texto indicam a fonte.

  1. Periodicity of Examination, Preventive Dental Services, Anticipatory Guidance/Counseling, and Oral Treatment for Infants, Children, and AdolescentsAmerican Academy of Pediatric Dentistry (AAPD), The Reference Manual of Pediatric Dentistry, 2022 (última revisão).
  2. Guia de Saúde Oral Materno-InfantilSociedade Brasileira de Pediatria e Global Child Dental Fund, 2020.
  3. Guia de recomendações para o uso de fluoretos no Brasil, 2ª ediçãoMinistério da Saúde, Brasil, 2026.

Sobre a autora

Dra. Letícia Nascimento

Odontopediatra · CRO-SP 137284

Cirurgiã-dentista há 7 anos, formada pela UninCor e especialista em Odontopediatria pelo IOA São Paulo. Atende bebês, crianças e adolescentes em São José dos Campos, com respeito ao tempo de cada criança.

Conheça a Dra. Letícia

Dúvidas frequentes

Meu bebê ainda não tem dentes. Já posso levar ao odontopediatra?

Pode. A consulta antes dos dentes serve para orientar os pais sobre higiene da boca, amamentação, mamadeira e hábitos. Muitas famílias chegam ainda na gestação ou nos primeiros meses.

O dente do meu bebê ainda não nasceu com 1 ano. É normal?

O primeiro dente costuma aparecer por volta dos 6 meses, mas existe uma variação grande entre as crianças. Se passou de 1 ano sem nenhum dente, vale uma avaliação para acompanhar o desenvolvimento.

O bebê precisa ficar sozinho na cadeira?

Não. Nos bebês, o exame costuma ser feito com a criança no colo do responsável, de frente para a odontopediatra. É rápido e tranquilo.

Com que frequência o bebê deve voltar?

Depende do risco de cárie e dos hábitos da família. Em geral, os retornos acontecem a cada 6 meses, mas o intervalo é definido na consulta, de acordo com o risco de cada criança.