O que acontece na primeira consulta com o odontopediatra?
A primeira consulta começa com uma conversa, não com um procedimento. Veja o que acontece, quanto tempo dura, o que levar e como preparar a criança.
A primeira consulta com o odontopediatra começa com uma conversa, não com um procedimento. É o momento de conhecer a criança e a família, entender a rotina, avaliar a boca de acordo com a colaboração dela e orientar os pais. Muitas vezes não há nenhum tratamento nesse dia: o objetivo é criar vínculo e montar um plano de cuidado.
Quando deve ser a primeira consulta
A recomendação é levar a criança quando nasce o primeiro dente, ou no máximo até 1 ano de idade[1], orientação também adotada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Pediatria[2]. Se seu filho já é maior e nunca foi ao dentista, não tem problema: a primeira consulta é adaptada à idade dele.
O que acontece, na ordem
- Conversa com os responsáveis. Histórico de saúde, gestação, alimentação, hábitos (chupeta, mamadeira, dedo), rotina de escovação e experiências anteriores com dentista.
- Adaptação da criança ao ambiente. Ela conhece a sala, a cadeira e a dentista, no tempo dela.
- Avaliação da boca, conforme a colaboração. Dentes, gengiva, mordida e desenvolvimento da face. Em bebês, o exame é feito no colo do responsável.
- Orientações práticas. Como escovar, quanto creme dental usar, alimentação e hábitos, tudo mostrado na prática.
- Próximos passos. Se houver necessidade de tratamento, o plano é explicado com calma, e é definido o intervalo até o próximo retorno.
Se a criança não se sentir pronta para ser examinada nesse dia, está tudo bem. A adaptação continua na próxima consulta.
Como preparar a criança
- Conte com antecedência, de forma simples e positiva: “vamos conhecer a dentista que cuida dos dentinhos”.
- Evite palavras que assustam, como dor, agulha ou injeção, mesmo para dizer que não vai acontecer.
- Escolha um horário tranquilo, longe da hora do sono e sem fome.
- Leve um objeto de conforto.
- Não prometa prêmios em troca de comportamento. Um elogio sincero depois funciona melhor.
As técnicas usadas para acolher a criança, como explicar, mostrar e só depois fazer, fazem parte das diretrizes internacionais de manejo comportamental na odontopediatria[3].
O que levar
- Documento da criança e carteirinha do convênio, se houver.
- Lista de medicamentos em uso e informações sobre alergias ou condições de saúde.
- Exames ou relatórios recentes, se houver.
- Suas dúvidas anotadas.
Depois da primeira consulta
Os retornos costumam acontecer a cada 6 meses, mas o intervalo é ajustado conforme o risco de cárie e as necessidades de cada criança[1]. A cada visita, a criança conhece um pouco mais o ambiente, e a relação com o dentista fica mais leve.
Referências
Este artigo foi escrito com base nas recomendações abaixo. Os números entre colchetes no texto indicam a fonte.
- Periodicity of Examination, Preventive Dental Services, Anticipatory Guidance/Counseling, and Oral Treatment for Infants, Children, and AdolescentsAmerican Academy of Pediatric Dentistry (AAPD), The Reference Manual of Pediatric Dentistry, 2022 (última revisão).
- Guia de Saúde Oral Materno-InfantilSociedade Brasileira de Pediatria e Global Child Dental Fund, 2020.
- Behavior Guidance for the Pediatric Dental PatientAmerican Academy of Pediatric Dentistry (AAPD), The Reference Manual of Pediatric Dentistry, 2024 (última revisão).
Dúvidas frequentes
A primeira consulta já tem tratamento?
Depende da necessidade e da adaptação da criança. Muitas vezes, a primeira consulta é de avaliação, orientação e criação de vínculo, e o tratamento, se necessário, é planejado para os encontros seguintes.
Com que idade deve ser a primeira consulta?
O recomendado é quando nasce o primeiro dente, ou no máximo até 1 ano de idade. Mas nunca é tarde: crianças maiores e adolescentes também têm uma primeira consulta pensada para a idade delas.
Os pais ficam junto?
Sim. Os pais participam da conversa e, na maioria das vezes, acompanham o exame. Com bebês, o exame costuma ser feito no colo do responsável.
O que devo levar?
Documentos da criança, carteirinha do convênio se houver, lista de remédios em uso, exames recentes e suas dúvidas anotadas. Um brinquedo preferido também ajuda.
Com que frequência voltar depois?
Em geral a cada 6 meses, mas o intervalo é definido de acordo com o risco de cárie e as necessidades de cada criança.